Natureza — Quarta-feira, 28 Julho 2010 — 1 Comentário
Libertação de um milhafre-preto em território da freguesia de Currelos
O Centro de Ecologia, Recuperação e Vigilância de Animais Selvagens (CERVAS), sedeado em Gouveia, procedeu à devolução à natureza, ontem, 27 de Julho, pelas 16h00, de um milhafre-preto (Milvus migrans) em território da freguesia de Currelos (Carregal do Sal), libertando-o na margem direita do rio Mondego, junto à ponte que liga os concelhos de Carregal do Sal e Tábua.
Esta ave chegou ao CERVAS por intermédio da equipa do Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) da GNR de Santa Comba Dão, após a mesma ter sido apreendida, em Maio de 2009, a um particular da freguesia de Currelos, que a mantinha numa situação de cativeiro ilegal.
Apresentando-se na altura com a plumagem muito danificada, diversas penas partidas e sinais de stress associados ao cativeiro, a ave passou por um processo de recuperação no CERVAS, que envolveu o contacto com animais selvagens da mesma espécie, de modo a que se pudessem reverter os sinais de domesticação, e, numa fase final, a ave foi submetida a treinos de voo e de caça até ficar pronta para voltar ao seu ambiente natural.
Estando a maior percentagem da sua dieta relacionada com o meio aquático (principalmente peixes), optou-se por libertar esta ave junto ao rio. Na sua devolução à natureza estiveram presentes 15 pessoas, entre os quais se contavam o presidente da Junta de Freguesia de Currelos, António Pinto, o tesoureiro da mesma, José Rebelo, o presidente da direcção do Clube de Caçadores e Pescadores de Carregal do Sal, José Nascimento, e três membros da equipa do SEPNA da GNR de Santa Comba Dão, nomeadamente o cabo Luís Santos e os soldados Fernandes e Machado.
Antes do lançamento da ave, tarefa concedida ao presidente do Clube de Caçadores, o biólogo José Póvoa, do CERVAS, fez uma apresentação desta instituição e descreveu o processo por que passou a recuperação da ave. Além disso, o milhafre só foi libertado depois de, entre a dezena de populares presentes, ter sido baptizado com o nome de “Rui”.
Parecendo adivinhar a chegada de um novo parceiro, outros milhafres sobrevoaram o local, podendo ainda admirar-se o aparecimento de alguns patos bravos e de algumas garças. Enfim, melhor cenário não poderia ter sido proporcionado para a devolução à natureza do milhafre-preto “Rui”!
CERVAS
O CERVAS é uma estrutura do Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE), actualmente sob a gestão da Associação ALDEIA, que tem como objectivos detectar e solucionar diversos problemas associados à conservação e gestão das populações de animais selvagens e dos seus habitats. Uma das principais áreas de trabalho do CERVAS é a recuperação de animais selvagens. Este trabalho consiste na recepção e tratamento dos indivíduos recolhidos, com o objectivo de os libertar no local onde foram encontrados.
Para assegurar o seu funcionamento, o CERVAS possui instalações próprias para recepção e avaliação dos animais: uma clínica, uma sala de cirurgia, uma sala de radiografias, um laboratório misto de sanidade e ecologia, uma unidade de cuidados intensivos com jaulas de diferentes tamanhos, jaulas exteriores de recuperação, túneis de voo, sala de necrópsia, biotério para produção de alimento e salas de armazenamento de comida e material diverso, bem como um escritório para trabalho técnico. Além disso, beneficia das instalações da delegação de Gouveia do PNSE como espaço administrativo, de biblioteca e de reuniões de trabalho e acções de sensibilização. Possui ainda algum equipamento móvel de captura, detenção e seguimento de animais selvagens. Internamente dispõe, também, de diversos equipamentos laboratoriais e informáticos.
Desse modo, o CERVAS é um projecto que pretende ser pioneiro em Portugal. Não é um simples centro de recuperação de animais selvagens, mas sim um avançado meio de observação e diagnóstico primário da situação da fauna existente no nosso país.
Em Portugal, existe uma Rede Nacional de Recolha e Recuperação de Animais Selvagens, de que fazem parte cerca de uma dezena de centros de recuperação, sendo a rede gerida pelo Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB).
Lino Dias
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Pena é que muitos mais não sejam libertados , pois eu penso que na área onde resido existe uma ave de rapina em cativeiro , não sei bem especificar se será milhafre ou corvo,