Quarta, 08 Fev 2012

Hélio Bernardo Lopes, Opinião — Terça-feira, 7 Setembro 2010 — 0 Comentários

O LEITOR SABIA?

Hélio Bernardo Lopes *

HÉLIO BERNARDO LOPES.jpgPortugal é um país engraçadíssimo, porque, para lá de muitas coisas excelentes, tem gente repleta de grande graça e que nos concede momentos de enorme hilariância. Um desses momentos foi o há dias noticiado pelos nossos jornais de maior referência, a cuja luz nos encontramos nas grandes rotas de falsificação de pintura. De molde que eu pergunto: o leitor não sabia?

Tal notícia referia-se à apreensão de vinte e sete alegadas falsificações de obras de grandes pintores mundiais, e que foram apreendidas em Cascais.

Claro está que, sendo Portugal a principal porta de entrada de estupefacientes do subcontinente americano com destino a toda a Europa, e para mais com diversos dos novos países de língua oficial portuguesa fortemente envolvidos nos circuitos por onde se distribuem tais produtos, com tudo isto acompanhado de uma realidade social em franca decadência desde há uns vinte anos, onde quase tudo é sempre nada, que outra conclusão se poderia tirar que não essa, de nos encontramos nas grandes rotas de falsificação de pintura?

Pois, não é verdade que deveremos ser, com elevadíssima probabilidade, o Estado europeu com maior número de aeródromos desativados, ou mesmo simplesmente ilegais, numa realidade de que ninguém parece ter responsabilidade de vigiar?

E não é verdade que somos, e desde há muitas décadas, um país onde, invariavelmente, pouco se sabe sobre o estado de mil e uma situações que envolvem temas complicados, seja lá a natureza dos mesmos a que for? Não é verdade que sempre salientámos que a ETA não estava presente no território nacional, mas que logo se percebeu estar depois daquela carrinha apreendida em Espanha? E não nos veio agora certo ministro espanhol dizer que a desarticulação da ETA em Portugal foi decisiva para este pedido recente de tréguas?

Por tudo isto, e como creio que os meus leitores facilmente compreenderão, noticiar agora que Portugal se situa nas grandes rotas de falsificação de pintura é, de todo em todo, engraçadíssimo. Verdadeiramente hilariante!

* Antigo professor e membro do Conselho Científico da Escola Superior da Polícia

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