Quarta, 08 Fev 2012

Hélio Bernardo Lopes, Opinião — Sexta-feira, 16 Julho 2010 — 0 Comentários

QUE É FEITO DELES?

HÉLIO BERNARDO LOPES *

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Os dias lá vão passando, e a grande verdade é que o tal grupo de católicos de que se falou a propósito de um novo candidato, oriundo dessa área, e que fosse um real defensor dos correspondentes valores no exercício da função presidencial, tal como oportunamente referi, simplesmente não surgiu.

Expliquei em textos anteriores que teria de ser este o desiderato de uma tal ideia, porque os tais valores estão hoje completamente arredios do pensamento da generalidade dos portugueses, e mesmo dos europeus. De resto, foi por ser esta a realidade que a Igreja Católica, por decisão recente de Bento XVI, se determinou a criar uma estrutura destinada a evangelizar de novo o Ocidente, embora me pareça que a linguagem usada para abordar uma tal realidade está longe de ser a mais apropriada. Quase com toda a certeza, não produzirá efeitos significativos.

Pois, aí está o resultado da tal ideia que João César das Neves, cheio de razão, apresentou aos portugueses: nada. Simplesmente nada, se descontarmos uns ruídos muito ligeiros que logo se fizeram ouvir, e de que nos vão chegando, ora aqui, ora ali, algumas réplicas verdadeiramente insensíveis.

Este caso mostra, no meu modo de ver, a grande diferença existente entre o que são referências católicas de natureza histórico-cultural, e a correspondente vivência no seio da organização social. Se quisesse deitar mão de uma linguagem probabilística, eu diria que o valor médio da atitude social dos portugueses é católico, mas apresentando um desvio-padrão enormíssimo. Até mesmo com frequentíssimos outliers, cujo número tudo faz crer estar a crescer velozmente. Basta olhar o último caso conhecido, e que é o da extensão da adoção de crianças pelos ditos casais homossexuais.

* Antigo professor e membro do Conselho Científico da Escola Superior da Polícia

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