Hélio Bernardo Lopes, Opinião — Domingo, 5 Setembro 2010 — 0 Comentários
QUE É FEITO DO TAL?
HÉLIO BERNARDO LOPES *
Este meu texto é muito breve, e resulta de uma conversa de circunstância, havida hoje mesmo, pelo final da manhã, momentos antes do noticiário da uma hora, com um conhecido meu, e que começou pelo tema há um tempo atrás discutido entre nós: a possibilidade de surgir o tal candidato ligado aos valores católicos na corrida presidencial que se avizinha.
Ao ver-me dobrar a esquina, o meu simpático conhecido de pronto levantou o seu braço direito, dizendo: há um bom tempo que falo de si à minha mulher, porque não me esqueci, digamos assim, da sua aposta comigo, em torno do tal candidato da direita sem ser o Cavaco.
Num ápice, e rindo com ele, propus-lhe: partindo do princípio de que, afinal, tenho razão, podemos então tomar ali mesmo a tal bica que apostámos. E assim foi: o meu conhecido e eu lá fomos tomar cada um o seu café, com ele a pagar os dois, à luz do pressuposto de que o tal candidato não virá nunca a aparecer.
Acontece que o meu amigo vinha da missa dominical, terminada momentos antes, pelo que rematei: sabe, espero que não tenha ficado melindrado com os termos da aposta, mas a verdade é que a generalidade dos católicos está a anos-luz do conhecimento doutrinário e do grau de exigência do João César das Neves, e a grande verdade, desde que nos não queiramos iludir, é que essa massa humana, tal como lhe disse, coloca sempre os interesses acima dos valores, mesmo dos religiosos. E completei: é provável que tenha sido sempre assim, mas hoje, com o triunfo do valor da riqueza e do dinheiro, a situação generalizou-se e hipertrofiou-se.
E regressámos às nossas casas, ainda com um razoável trajeto em comum, abordando, como teria de dar-se, o recente acórdão do caso Casa Pia. Como normalmente, o meu amigo não tinha do tema grande opinião, limitando-se a dizer-me: eu já não percebo nada disto. E assim nos despedimos, até porque já lá iam dez minutos de noticiário. Simplesmente, andei uma vintena de metros e voltei atrás, encontrando a tal carrinha grande que estava perto do local da nossa conversa.
Posicionando-me por detrás da mesma, lá pude observar o que pensara: não foi para casa, mas para um prédio de há muito por mim referenciado, digamos assim… Era domingo… E vinha da santa missa! Como é que Portugal e o Mundo não terão de andar mal?!
* Antigo professor e membro do Conselho Cientifico da Escola Superior da Polícia
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