Literatura — Segunda-feira, 14 Dezembro 2009 — 0 Comentários
Salvador Massano Cardoso lançou “Raminho de alecrim”
Salvador Massano Cardoso, professor catedrático da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, voltou a eleger o Auditório Municipal de Santa Comba Dão para lançamento de mais livro de sua autoria. Assim sucedeu no sábado, 12 de Dezembro, ao fim da tarde, desta vez na apresentação da obra “Raminho de alecrim“, o seu sétimo livro, integrando este a colecção Maré Alta, da editora Mar da Palavra.
O auditório registou enchente, atingindo a centena de presenças, entre as quais se contavam, mas com lugar na mesa de honra e fazendo companhia ao autor, João Lourenço, presidente da Câmara Municipal de Santa Comba Dão, António José Correia, vice-presidente da Câmara, e Elvira Moreira Santos, representante da editora Mar da Palavra.
“Homem nobre, simples, afável no trato, honesto, de carácter forte e vincado, mas ao mesmo tempo de uma sensibilidade humana e social verdadeiramente notável, com uma carreira absolutamente excepcional sob o ponto de vista profissional, académico e científico“, assim definiu António José Correia o autor na apresentação do livro, missão que considerou de grande responsabilidade. Relativamente ao livro, afirmou: “Ao longo do “Raminho de alecrim” encontramos permanentemente histórias da vida pessoal desde tenra idade, quem fazem a ponte para histórias e reflexões sobre o nosso quotidiano. O contrário também é verdade, as experiências tidas pelo autor enquanto adulto e na sua esmagadora maioria experiências recentes, catapultam-no a fazer análogas histórias com a sua infância e juventude passada na nossa terra. Por isso, em muitas das crónicas, damos de caras com personagens da vida real e conhecidas do autor e da comunidade envolvente“.
Para Elvira Santos, “este livro é mais que um raminho de alecrim, é um conjunto de cheiros de ervas”. Depois de elogiar o autor e a sua obra, agradeceu, em nome da editora, a disponibilidade e o apoio do município para esta apresentação.
Chegada a sua vez no uso da palavra, Massano Cardoso começou por manifestar-se surpreendido com o prémio de produção literária que lhe foi atribuído na recente Gala de Prémios de Cultura e Desporto de Santa Comba Dão: “Era impensável que isto sucedesse na minha terra, ainda não consegui digerir bem a surpresa, mas fiquei profundamente satisfeito, porque ser reconhecido na própria terra não é fácil e nunca me tinha apercebido que podia ser galardoado nesta matéria. Já recebi muitos prémios, mas este tem mais valor por ter sido na minha terra“. Falando da importância dessa gala, utilizou a seguinte frase do também premiado Padre Ricardo: “Serve para nos tornarmos mais humanos“. Acrescentou, então: “Dá-me um prazer enorme escrever, principalmente se conseguir aquilo que o Padre Ricardo disse, ainda que possa haver quem não goste do que escrevo, mas haver contradições é algo positivo com que temos de lidar, um homem sem contradições não serve para nada“.
Ao encerrar as intervenções desta cerimónia, o presidente da Câmara agradeceu todas as presenças, felicitou o lançamento de mais este livro e desejou ao autor a continuidade de sucessos pessoais, académicos e literários.
Seguiram-se as felicitações pessoais da assistência a Massano Cardoso, ao mesmo tempo que era solicitado a rubricar os exemplares que cada um adquiriu.
Breve apresentação do livro e do seu autor
“Raminho de alecrim” dá estampa a 52 crónicas. São curiosos os títulos de algumas delas, como: “Roncar”, “O Chapeleiro Louco”, “Capem-nos”, “O melro do Senhor Lopes”, “Os falos do Cura”, “Preservativos e florestas”, “O homem que matou o diabo”, “Arroz, pombo e sida”, “Viva o Gordo!”, “Dez regras para fabricar uma doença”, “Queres casar? Planta cinco árvores!”. Acresce a curiosidade de o título do livro ser precisamente o título da primeira crónica.
É significativa a definição que Jorge Castilho faz da obra no seu prefácio: “Um ramo feito de pedaços de vida, de histórias do nosso quotidiano, com as suas misérias e as suas grandezas, pintado com uma paleta de cores alegres, mas onde também existem os cinzentos e os negros. Um conjunto de crónicas escorreitas mas transbordantes de sensibilidade, bem à imagem de quem as construiu“.
Sobre o objectivo da publicação do livro, falou assim o autor ao «Farol da Nossa Terra»: “O objectivo é permitir às pessoas partilharem ideias, experiências, vidas e anseios, aspirações e reflexões sobre a nossa existência, no fundo, passar a escrito todas aquelas preocupações que cada um pode ter“.
Ainda que numa apresentação abreviada, cabe referir que Salvador Massano Cardoso tem 58 anos de idade, é natural de Santa Comba Dão e reside em Coimbra, em cuja Universidade é professor catedrático de Epidemiologia e Medicina Preventiva. A par das suas múltiplas actividades académicas e científicas, tem desenvolvido e cultivado outras áreas de interesse, nomeadamente a nível cívico, como no caso da luta contra a co-incineração. Foi deputado na Assembleia da República (IX Legislatura) e cumpre, actualmente, em segundo mandato, o cargo de presidente da Assembleia Municipal de Santa Comba Dão. Fez parte do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida. Ocupa o cargo de vice-presidente do Conselho Nacional da Procriação Medicamente Assistida e é Provedor do Ambiente e da Qualidade de Vida Urbana de Coimbra.
Escreve regularmente em vários jornais regionais e locais, onde foram publicadas algumas das crónicas deste livro.
Lino Dias
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