Sábado, 31 Jul 2010

Religião — Sexta-feira, 4 Janeiro 2008 — 0 Comentários

Santa Comba Dão – Festa religiosa anual de Castelejo

Imagem 002.jpgVenerado a 27 de Dezembro, data comemorativa da sua morte no ano de 101 ou 102, São João Evangelista, discípulo que Jesus mais amava e o mais jovem dos apóstolos, voltou a conhecer especial fervor na povoação de Castelejo, da freguesia de S. João de Areias, com o reviver da festa religiosa anual em honra do padroeiro, desta vez realizada no dia 29 de Dezembro.
Já habitual, muitas foram as pessoas que ali se deslocaram de povoações vizinhas, registando-se ainda a presença de muitos conterrâneos que vivem e trabalham noutras terras, incluindo emigrantes, e que regressaram à terra natal em período de férias da quadra natalícia, o que contribuiu para a grandeza de que a festa se reveste ano a ano.
Por conseguinte, mais uma vez a capela tornou-se exígua para acolher todos os fiéis que quiseram participar na Missa Solene, seguindo-a muitos deles no exterior da mesma. Com animação do próprio grupo coral, a missa foi celebrada pelo respectivo pároco, P.e José António Almeida.
Na sua prédica, o sacerdote deu conhecimento de um novo pormenor sobre a imagem do santo, respeitante à taça que segura na mão esquerda e ao gesto da mão direita a traçar uma cruz. Sabia-se que no ano 95 o imperador Domiciano fez prender o apóstolo João e sujeitou-o, em Roma, ao martírio em que foi flagelado e depois mergulhado num caldeirão com azeite a ferver, dando-se o milagre de dali sair rejuvenescido e sem sofrer dano algum. Foi então condenado a viver exilado na ilha de Patmos, para trabalhar nas minas. P.e José António deu agora a saber que o apóstolo, ao converter, em pouco tempo, a população da ilha, encolerizou o magistrado Aristodemo, e este desafiou-o: “Queres que eu aceite o teu Deus? Prova-o! Dois condenados à morte vão beber este veneno mortal, toma-o também!”. João aceitou o desafio. Os condenados beberam e morreram, mas o santo apóstolo traçou o sinal da cruz sobre a taça e, lentamente, bebeu todo o veneno que ela continha. Sorrindo, devolveu a taça vazia e ressuscitou os dois condenados. Crente no que viu, Aristodemo converteu-se também.
Cerimónia mais visível na homenagem ao padroeiro, a Procissão de penitência e de bênção às ruas da povoação, realizada após a missa, resplandeceu na imponência do seu cortejo de andores, cuidadosamente enfeitados, transportando imagens do Menino Jesus, Santa Rita, São Judas Tadeu, São José, Nossa Senhora de Fátima, Nossa Senhora das Dores, São Francisco e São João Evangelista. Abria o cortejo a irmandade da própria povoação, criada há um ano, tendo Manuel Figueiral Teixeira como principal impulsionador. Também desta vez a banda da Sociedade Filarmónica Fraternidade de S. João de Areias lhe deu apreciado brilho com o seu acompanhamento musical.
Terminados os actos religiosos, houve lugar ao tradicional leilão de oferendas, realizado no adro da capela, o qual esteve bem concorrido, beneficiando do entusiasmo que P.e José António lhe imprime ao encarregar-se de apregoá-lo. Ainda no largo da capela, seguiu-se a actuação da Tuna Juvenil “Os Alegres”, da própria povoação, que proporcionou mais alguns momentos de alegria aos muitos populares que resistiram ao frio que o final da tarde já fazia acentuar.
Os festejos, que tinham sido iniciados com celebração de missa em honra do padroeiro no dia 27 e que incluíram um baile na noite do dia 29, animado pelo conjunto musical “Tolerância Zero”, prosseguiram no salão de festas da Associação Recreativa com novo baile, animado pelo agrupamento musical “Mundo Novo”.
A organização esteve a cargo de Paulo Jorge Pinto Silva, Ilda Guerra Nunes, Gonçalo António, Cátia Durães Pinto, Maria Fernanda Roque, Ismael Pinto, Marcelo Jorge Pinto e Sónia Pais, mordomos que cessaram funções.
Para a mordomia de 2008 foram nomeados Carlos Alberto Morais (S. João Evangelista), Jaime Rocha Santos (N.º Sr. dos Aflitos), Fátima Correia Trindade Reis (N.ª Sra. das Dores), António Miguel Camilo Gonçalves (S. José), Susana Camilo Gonçalves (N.ª Sra. de Fátima), Alcina Gonçalves Isidoro (S. Judas Tadeu), Ricardo Ferreira Marques (S. Francisco), Maria de Lurdes Alves Santos (Sta Rita), Ana Sofia dos Santos Isidoro e Leonardo Manuel Figueiredo Correia (Menino Jesus).
“Espero que aceitem com alegria fazer parte da mordomia”, disse P.e José António, após anunciar os nomes dos novos mordomos. Assim o espera também a comunidade, desejosa de que esta tradição de enraizamento popular, tal como foi herdada, continue a ser transmitida de geração em geração.
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