Opinião — Terça-feira, 7 Setembro 2010 — 0 Comentários
Se não fossem eles, seríamos ignorantes! (II)
ARTUR FONTES
«A saúde de uma democracia depende não apenas da estrutura das suas instituições, mas também das qualidades dos seus cidadãos»
Encyclopedia of Philosophy,, London Ronteledge,1998
…E a qualidade dos cidadãos que se vocacionaram para o ensino, os professores, os quais leccionam saberes, transmitindo novos olhares sobre o mundo que nos rodeia, gerando aprendizagens nos alunos que estão a seu cargo, essa qualidade digo, terá que ser forjada, também ela, em novas aprendizagens e em práticas que se ajustem aos tempos em que decorre esse ensino assim como, ao perfil dos alunos em que se ministram esses conhecimentos.
Aos professores, isto é, aos mestres dessa arte de bem ensinar, àqueles que cultivam o espírito, aos que são sensíveis ao juízo e à razão, aos que, através do saber humano, fazem avançar o pensamento pelo estudo e trabalho, é-lhes exigido qualidades, manuseadas pelo esforço e dedicação e, sobretudo, pela honestidade intelectual, que desenvolvam as capacidades intelectuais dos jovens, que se querem que venham a ser os adultos de amanhã. Gente, em quem possamos depositar a esperança, de que com eles, todos nós, toda uma comunidade enraizada nesta terra, conseguirá mais e melhor, naquilo que os de hoje, os da hora presente, honestamente conseguiram!
O progresso e o desenvolvimento surgem quando ao antigo se acrescenta o novo.
A tarefa, muitas vezes não compreendida, é árdua. Não é fácil ser-se professor! Este não é um transmissor mecânico de programas previamente estabelecidos pelo Ministério! Ele não é um “gravador”daquilo que aprendeu ou da matéria incluída nos manuais escolares! Ele é um descobridor das dificuldades e das imperfeições que esses jovens possuem! Ele é, por esse facto, um acompanhante nessa caminhada da descoberta do “novo”. Ele desbrava, pelo seu método de ensinar, as margens do desconhecido tornando-o perceptível ao aluno. Ele é, no fundo, o escultor que dá à ignorância a forma de sujeito com as aptidões necessárias para ser considerado um ser pensante. Poder-se-á dizer, que um professor é como um lavrador que sulca a terra, revolvendo-a para que a semente germine. Dele depende, em muito, a qualidade dos cidadãos vindouros. É que sem eles, nós seríamos ignorantes fazendo, então, pouca diferença dos animais de carga. (Ver artigo escrito em Agosto)
Só com uma vinculação da Escola, (vista em todos os níveis de ensino) com o futuro, se impulsionará um processo de eliminação das tentativas da despersonalização do professor, da desordem inerente à sua desautorização e da indiferença subjacente a este processo, pela afirmação de uma Escola, que reafirmará com empenho o valor de ensinar e de aprender, como sendo um exercício cívico, importante, necessário e urgente, na defesa contra o desmoronamento das virtudes de uma sociedade.
Só assim, a insegurança de uma situação crítica invocará a certeza do fim dela, embora sem se saber bem ao certo quando e como, mas na convicção que esse fim se aproxima.
Então, a democracia será saudável por possuir cidadãos de / e com qualidade!
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