Hélio Bernardo Lopes, Opinião — Quinta-feira, 29 Julho 2010 — 0 Comentários
TERÁ MESMO CHEGADO AO FIM?
HÉLIO BERNARDO LOPES *
Parece que terá chegado ao fim em Portugal o tristemente célebre caso Freeport, na perspetiva do envolvimento que uns quantos tentaram fazer à pessoa do Primeiro-Ministro, José Sócrates. Em todo o caso, há um dado que é certo: sai deste caso completamente destruída – mais uma vez – a imagem do Sistema de Justiça, pelo tempo que levou a tratar o assunto e pelas mil e uma vicissitudes que envolveram todo o processo. Simplesmente lamentável.
Em todo o caso, e como os mais atentos certamente terão percebido, eu comecei este meu texto com a utilização do verbo parecer, porque o mais provável, tendo em conta o apodrecimento que a sociedade portuguesa atingiu, e para mais com a luta pela tomada do poder por parte dos neoliberais, é que por aí surja alguém que se disponha a deitar mão de um qualquer expediente que a nossa legislação borrachona ainda consente.
Claro está que desde que o Serious Fraud Office deu por terminadas as averiguações, que se percebeu que a tentativa de envolver José Sócrates no caso estava, finalmente, condenada ao arquivamento. Mais estranho foi todo o restante tempo que demorou a reconhecer, entre nós, o que agora foi decidido por quem tinha a responsabilidade para para o fazer.
Tenho para mim, e desde há muito, que estas historietas malévolas contra o Primeiro-Ministro, José Sócrates, se inseriram na estratégia de um grupo, conhecido ao nível de muitas das suas personagens, mas com uma estrutura difusa, destinada a destruir o único partido (dito) de esquerda com acesso ao poder, e que é o Partido (designado de) Socialista, de molde a poder realizar um sonho com décadas: pôr um fim no 25 de Abril e na Constituição de 1976.
De resto, o que sucedeu ao Primeiro-Ministro, José Sócrates, já tinha sucedido ao seu antecessor, o hoje Embaixador, Eduardo Ferro Rodrigues, e que era, no seu tempo, o legítimo secretário-geral do seu partido. Pois, publicamente, perante a fantástica cobardia de mil e um correlegionários seus, lá acabou por bater com a porta, sobretudo, pela inacreditável atitude política do seu amigo de tantos anos, e que era o então Presidente da República, Jorge Sampaio.
Se um dia se puder fazer um estudo capaz sobre a eleição autárquica que levou Pedro Santana Lopes à liderança da Câmara Municipal de Lisboa, sobretudo, em torno do que poderá ter-se passado com a tal urna que desapareceu em Chelas, e sobre a qual a Procuradoria-Geral da República deu como provado o erro nos resultados, que eram inversos, perceber-se-á que, por muitos lugares da nossa vida política, já então existia a vontade firme de evitar uma carreira política forte a João Soares… E que fiquem claras as coisas: o que escrevo aqui nada tem que ver com Pedro Santana Lopes. Muito pelo contrário: ter-se-á pretendido, como é a minha tese, parar o andamento do (dito) clã Soares, e por lugares muito diversos. E quem se não lembra da saída de Maria Barroso da Cruz Vermelha Portuguesa, sem um ínfimo de nexo que possa encontrar-se?
Enfim, vamos esperar para ver no que vai dar o aparente fim deste caso Freeport, na perspetiva da tentativa que foi feita – e tantos foram os seus autores… – para destruir politicamente o Primeiro-Ministro, José Sócrates. Ficamos a aguardar o futuro…
* Antigo professor e membro do Conselho Científico da Escola Superior da Polícia
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